8 de novembro de 2009

Ensaio sobre o teatro. Aprender com os melhores



"Ensaio sobre o teatro". Cartaz.

Para aprender com os melhores, nesta sessão, em vez de dedicar-nos a exercícios e jogos teatrais, vimos o documentário “Ensaio sobre o teatro” de Rui Simões, cujo promo e ficha técnica foram publicados neste blog, no post anterior. Este documentário relata a preparação, desde o inicio, do espectáculo teatral da companhia O Bando a partir da obra literária de José Saramago “Ensaio sobre a Cegueira” com a dramaturgia e encenação de João Brites. A escolha do documentário por parte do professor teve em conta também um outro espectáculo histórico (nos dois sentidos na palavra) desta companhia ao qual iremos assistir no próximo dia 14 de Novembro e sobre o qual falaremos neste blog mais à frente.

O filme estrutura-se entre as imagens da estreia do espectáculo no Teatro Nacional de S. João no Porto, dia 06 de Maio de 2004, o arquivo de todas as fases da realização, desde o início, e as entrevistas aos actores, ao encenador João Brites e ao próprio José Saramago.

A parte mais interessante, quer ao nível pessoal quer de trabalho nesta disciplina, foi a percepção de todos os trabalhos que estão por trás dum espectáculo, considerando também que o “Ensaio sobre a Cegueira” é uma peça fora do normal por ter uma cenografia muito complicada, um elenco muito grande de actores e uma duração de três horas, alem de ter a dificuldade de partir não de um texto escrito para o teatro, mas dum romance. Também o facto do “Ensaio sobre a cegueira” ter sido escrito por José Saramago, escritor valente, mas bastante difícil e ainda por cima premiado com o Premio Nobel pela Literatura transformou este espectáculo num enorme desafio para a companhia O Bando, que celebrou, com esta peça, os seus 30 anos.

No princípio do documentário é apresentado o primeiro encontro, de 2003, que os actores tiveram com o encenador para começar a trabalhar num estágio em Palmela, onde todos começaram pela coisa mais difícil e mais importante para este trabalho: o ser cego, ou melhor, ou representar ser cego. Assim desenvolveram vários exercícios e actividades, individuais e de grupo, sobre o ser cego, inicialmente de olhos fechados e onde cada um tinha a liberdade de interpretar a situação numa maneira passional e trágica ou fria e o mais possível destacada, e mais a frente de grupo, com regras mais definidas e papeis estabelecidos. O que me impressionou, apesar de ter reparado nisso só mais à frente no filme nas partes em palco, foi a capacidade dos actores de se fingirem cegos mantendo os olhos abertos. No palco, de facto, eles tiveram de saber reproduzir os gestos, as caminhadas e sobretudo a direcção do olhar dos cegos, conseguindo ao mesmo tempo perceber os movimentos dos outros actores em cena e movimentando-se numa cenografia que, como já referimos e como se pode ver no promo, era muito complicada. Este, ao longo do todo o filme, foi o meu maior espanto que provocou uma grande admiração pela capacidade dos actores de representar e, claro, a pena de não ter visto a peça.

Depois dos primeiros exercícios corporais, que continuaram claramente ao longo de todo o percurso feito até à estreia, foi a vez dos treinos vocais, onde se pedia a cada actor que encontrasse uma voz adaptada à sua personagem, mas ao mesmo tempo suficientemente executável para ser mantida ao longo de todo o espectáculo. Este é um trabalho muitas vezes individual de experimentação, de tentativa erro e de reflexão sobre as características da personagem na história e a maneira de representar estas características não só com as palavras e os gestos, mas também com a voz, com o seu tom, a sua cadência e o seu ritmo.

Também o trabalho para a relização da cenografia teve de partir do conceito e das ideias presentes no romance. Por exemplo a cegueira branca, da qual fala Saramago na entrevista, foi reproduzida com um nevoeiro verdadeiro que abraçava também os espectadores das primeiras filas. As estruturas metálicas presentes em cena criaram várias dificuldades, até a nível de segurança, mas foram essenciais para representar a ideia da entrada, ou largada, dos primeiros cegos na quarentena ou mesmo a divisão espacial dos bons e dos maus mais à frente na trama. Foram até introduzidos ligeiros cheiros na cenografia de maneira a deixar o espectador na dúvida de os ter sentido ou não, e para recrear o mais fielmente possível a ideia de cegueira, que obriga a pessoa a desenvolver mais os outros sentidos.

O documentário apresenta também a opinião de outros profissionais, fundamentais para a realização de qualquer espectáculo, como a figurinista, as costureiras e os técnicos de sala. Muitas vezes as decisões foram tomadas em conjunto, ouvindo a opinião dos actores e as suas exigências de conforto e de movimento na cena. Um exemplo emblemático disso são as cenas de sexo ou de nudez, que foram assunto de varias discussões entre os actores, os técnicos e o próprio encenador. A realidade dos gestos, a necessidade de despir-se e até as falas foram estudadas e ensaiadas várias vezes para serem depois apresentadas ao público na melhor maneira possível.

Um outro aspecto fundamental para a realização de uma peça teatral, bem descrito no documentário e fundamental para nós como grupo da turma de Prática Teatral, tendo o prazer de trabalhar com os alunos do curso de Musica na Comunidade, é a música. Em “Ensaio sobre a Cegueira” a música é original e foi gravada de propósito por uma orquestra e um coro infantil. Acho que esta ideia da gravação poderia ser interessante para a realização da nossa própria peça e para desfrutar em pleno as capacidade dos nossos colegas músicos. Além da actuação e da gravação, o filme relata também o difícil trabalho do técnico do som. Assim percebemos que se pode introduzir sons em loop, que se pode construir um jogo entre as vozes dos actores e a música de maneira a representar cada vez melhor as ideias e os sentimentos contidos no texto.

Uma companhia de teatro é um conjunto de pessoas e como tal, ao longo dos vários meses de trabalho para esta obra, aconteceram também episódios de nervosismo, de tensões e de lutas. O documentário apresenta também estas situações onde por vezes o encenador teve de impor autoridade ou onde os actores revelaram, entre choros e gritos, como é difícil fazer bem este trabalho. Também com o aproximar da estreia, onde o próprio José Saramago esteve presente, o nervosismo aumentou e com ele a superstição do azar e a tensão. Se, por outro lado, vimos esta situação doutra perspectiva, apresentada igualmente no filme, podemos dizer que com o nervosismo fez aumentar também o espírito de equipa, a solidariedade e a força de todo o grupo, que permitiu, no dia da estreia e em todos os outros a seguir a realização de um bom trabalho.

Em termos de escolhas de montagem do filme a duplicidade das cenas dos ensaios e da peça ultimada contribuiu sem dúvida para a melhor percepção de todo o trabalho porque assim assistia-se, relativamente a cada aspecto da preparação, ao percurso e depois ao resultado final, ou vice-versa.

A visão deste documentário permitiu-nos perceber, em primeiro lugar, a importância do trabalho de equipa e a complexidade da realização de uma peça teatral. Aspectos como estes irão ser-nos muitos úteis na altura da preparação da nossa pequena (quase inclassificável em comparação ao “Ensaio sobre a Cegueira”) peça teatral ou mesmo mais à frente no nosso futuro profissional. O segundo aspecto que este documentário evidenciou foi sem dúvida o profissionalismo e o empenho duma companhia importante como O Bando, autora de alguns dos melhores espectáculos do país.


"Ensaio sobre a Cegueira".Imagem do espectaculo.


"Ensaio sobre a Cegueira".Imagem do espectaculo.
Fonte: quartaparede.wordpress.com

6 de novembro de 2009

"Ensaio sobre o teatro" um documentario de Rui Simões. Promo.




Ficha Tecnica
Titulo: "Ensaio Sobre o Teatro"
Realizador: Rui Simões
País. Portugal
Ano: 2006
Duração: 90 minutos
Produção:Real Ficção
Financiamentos: Ministério da Cultura, ICAM, RTP

A partir da adaptação teatral da obra de José Saramago "Ensaio sobre a Cegueira"
Criação do teatro O Bando
Encenação e dramaturgia de João Brites

2 de novembro de 2009

Porquê duas vezes?

Confesso que quando me apercebi que os exercícios que tínhamos para desenvolver nesta sessão eram muitos parecidos com os da sessão anterior tive algumas dúvidas e ficai a pensar nisso nos dias seguintes. Cheguei à importante conclusão que se, como nos foi dito na primeira aula, este não é um curso para actores e se nós queremos utilizar o teatro nas nossas futuras actividades profissionais não como objectivo, mas sim como ferramenta de trabalho, a repetição dos exercícios é fundamental. Se nós queremos, como eu quero, desenvolver actividades como estas no papel do dinamizador, ou animador, é necessário experimentar mais que uma vez o mesmo exercício para num futuro ser capaz de trabalhar na melhor maneira possível. Assim, na primeira vez, podemos experimentar como participantes, numa segunda podemos trabalhar prestando atenção também às atitudes do dinamizador e ao seu trabalho e numa terceira vez podemos ser nós próprios os dinamizadores, digo isso em qualidade de sugestão para o futuro.

Além disso, vimos nesta sessão que ainda cometemos erros na execução do exercício como o já referido ler caminhando, sem prestar atenção à leitura, ou ainda fazer barulho e utilizar um tom de voz bastante baixo na representação em cena. Notamos estes erros, desta vez, sobretudo porque tínhamos um público-alvo estabelecido, e até tivemos algumas atenções, já referidas neste blog, em relação a isso.

Também a parte final da sessão, constituída sempre por um debate e uma troca de opiniões em relação às actividades, serve muito no sentido de aprender a dinamizar os exercícios, tal como serve para isso a repetição dos mesmos. Desta vez no debate falou-se do facto de, representando o conto todo seguido sem parar entre um grupo e o outro, se criar muito ruído na sala e quase ninguém estar com atenção ao trabalho dos colegas na cena, estando toda a turma nervosa em relação à nossa próxima entrada e à organização dos materiais.

Acho, depois desta minha reflexão, esta maneira de trabalhar numa disciplina prática muito correcta, repetindo os exercícios e pensando nos erros feitos e ainda debatendo sobre os mesmos.

Fazer pressão para relaxar, desta vez com mais tempo

O exercício de relaxamento foi o mesmo da sessão anterior onde a pares, elemento A e elemento B, tínhamos de trabalhar para o relaxamento e a descontracção do outro. Assim, numa primeira fase o elemento A exercitava uma ligeira pressão com os dedos na cabeça, nas palmas das mãos e nas plantas dos pés do elemento B deitado no chão com a barriga para cima. Numa segunda fase o elemento B virava-se e o elemento A passava a fazer o exercício também nas costas do colega. Nas fases três e quatro os dois elementos trocavam de posição e de tarefa para dar a possibilidade a todos de experimentar o exercício. A diferença com o exercício da sessão anterior foi que reservámos mais tempo para o relaxamento, assim quem exercitava a pressão podia faze-lo com mais calma, sem a pressa de passar logo à fase seguinte e tinha de tentar perceber ainda mais, sem palavras, as respostas do colega deitado, para ajudá-lo realmente a descontrair. Também quem estava deitado, tendo mais tempo, podia relaxar-se mais, concentrando-se na sua respiração e nas pressões que o colega fazia em partes sensíveis do corpo.

O facto de ter mais tempo aumentou também a necessidade de concentração e de alienação dos outros colegas na sala. Este é um tipo de exercício que requer uma certa dose de empenho e de atenção, para não olhar aos outros pares e começar a rir e para ajudar o próprio colega a descontrair percebendo os estímulos que o ajudam a fazer isso.


Os elementos A e os elementos B
Fonte: Autoria de um colega

Passo para frente és o actor, passo para trás és o aluno

A primeira actividade da sessão, depois do aquecimento, foi a dramatização de um conto muito conhecido, Capuchinho Vermelho, numa maneira similar à que tínhamos feito na sessão do dia 13 de Outubro. Depois de ter formado os grupos com o método da atribuição de números, dividindo-nos assim em 5 grupos de 5 ou 6 elementos, a cada grupo foram atribuídas duas partes da história, não consecutivas, escritas em folhetos como estes:


Cartões distribuidos
Fonte. Autoria própria

A primeira tarefa foi escolher duas pessoas do grupo para ler as nossas partes aos restantes da turma de maneira a dar a conhecer a todos a versão do conto com a qual iriamos trabalhar. A leitura devia ser bem-feita, em voz alta e o mais expressiva possível, mas sobretudo devia ser feita quando todo o grupo estivesse dentro do espaço cénico delimitado no chão da sala utilizado na sessão do dia 13. Também as entradas e as saídas, como no exercício passado, eram estabelecidas segundo uma tabela pela qual, quem entrava pela esquerda saia pela direita e vice-versa na leitura da segunda parte da história. Assim todos os grupos leram um após o outro o conto deixando perceber que iríamos trabalhar com a versão na qual o lobo come a avô e a Capuchinho Vermelho e adormece, mas no final entra em cena o caçador que abre com um facalhão a barriga do lobo, deixa sair as duas desgraçadas e enche novamente a barriga do lobo com pedras, sem que ele se de conta de nada. Assim, quando o lobo acorda foge muito maldisposto por causa das pedras na barriga.

Neste exercício, como infelizmente vimos na nossa sessão, é muito importante prestar atenção as duas tarefas, que devem ser executadas em contemporâneo: ler em voz alta e estar no espaço cénico delimitado. Muitas vezes, na nossa sessão, a única preocupação foi a delimitação do espaço, assim o grupo entrava todo no rectângulo enquanto um dos membros lia o texto, muito depressa e sem quase nenhuma expressividade. Como resultado obtivemos que todos os grupos respeitaram as entradas e saídas concordadas, mas ninguém percebeu nada das leituras dos outros grupos, tanto que teve de ser o professor a explicar a versão do conto escolhida. Na minha opinião, em casos como este, é melhor repetir o exercício, focando a tónica nos erros da actuação anterior, para percorrer um caminho certo onde todas as etapas foram completadas na melhor maneira possível.

No segundo exercício desta parte principal da sessão cada grupo tinha de preparar a representação das suas duas partes para efectuá-la no espaço cénico da sala, imaginando estar a representar para um grupo de crianças. Podia-se utilizar adereços e objectos cénicos e, sendo esta já a 4ª aula da disciplina, tínhamos de tentar trabalhar na melhor maneira possível a interacção com as outras pessoas do grupo, não focando a atenção somente na nossa parte e na nossa personagem. Depois do tempo de preparação representámos outra vez o conto no rectângulo cénico de maneira a não haver interrupções, assim quando um grupo saia duma saída o outro já estava a entrar na saída oposta. Todos os grupos utilizaram adereços e tentaram ser bastante expressivos, quer nas falas, quer nas interacções com os outros actores. Foi interessante reparar como no trabalho completo, sem, à partida, ter havido trocas de ideias entre os grupos na fase de preparação, houve muitas coisas parecidas como por exemplo alguns actores a fazer as árvores do bosque, a Capuchinho Vermelho ter um lenço desta cor na cabeça ou até existir um actor que fez de porta da casa da avó. Entre as ideias, utilizadas para dar a todos um papel no palco e para tornar a cena mais pormenorizada e clara, houve algumas verdadeiramente geniais, como o espelho, que reflectia o lobo no acto de maquilhar-se para disfarçar-se da avó ou o caçador em frente da porta fechada que procura as chaves de baixo do tapete de entrada e que no final abre a porta (um actor) com um pontapé.

Todos estes pormenores, e os outros não citados, foram introduzidos porque foi-nos dado à partida um público-alvo específico, as crianças, que, como todos os tipos de público, têm necessidades especiais. Assim houve um grupo que preferiu introduzir duas novas personagens de segundo plano, o cão e a gata da avó, em vez que ter actores a representar os móveis da casa ou outros adereços de difícil compreensão. Ainda houve grupos que utilizaram um lenço vermelho e uma canção de fácil melodia para caracterizar melhor a personagem principal. Todas estas particularidades devem ser pensadas e estudadas em relação ao nosso tipo de público, mas sem por isso entrar na simplicidade extrema ou na infantilização. Uma outra coisa muito importante que aprendi e que estou a aprender na ESELx é a quase obrigatoriedade, para mim pelo menos moral, de oferecer sempre aos nossos públicos-alvo estímulos criativos e que sejam uma mais-valia para eles, que sejam a “desculpa” para aprender mais, para descobri mais, para provar a maravilha uma vez mais. Assim, neste caso, teria sido um erro limitar-nos a falas simples, movimentos isolados e interacções óbvias entre os actores, porque isso não teria despertado nenhuma curiosidade e não teria exigido nenhum esforço para a compreensão completa da peça.


Ler em voz alta
Fonte: Autoria própria


O trabalho nos grupos
Fonte: Autoria própria


A representação
Fonte: Autoria de um colega

Life is a Cabaret

Como quase numa tradição começamos o aquecimento desta sessão com música, esta vez a banda sonora do filme “Cabaret” (1972), caminhando em todo o espaço da sala. A primeira tarefa, e se calhar a mais difícil, foi andar individualmente tentando alcançar a concentração, prestando também atenção à nossa postura, costas direitas, cabeça erguida e braços ao longo do corpo. Um outro objectivo deste exercício era tentar apanhar o ritmo da canção, mudando de passo em cada mudança de canção. A seguir, sempre concentrados, tínhamos de olhar nos olhos as pessoas com quem nos cruzávamos e depois seguir em frente, apanhando então o contacto visual com uma outra pessoa. Depois disso, sempre com a música a dar-nos o ritmo, o professor introduziu vários sinais, cada um associado a uma mudança. Assim com uma palma de mãos começávamos a ir para atrás, devagar, mas sem olhar atrás das costas; duas palmas voltavam a fazer-nos ir em frente. Ainda a palavra “AGORA” mandava-nos juntar muito rapidamente em pares e dançar juntos ao som da canção e quando o professor utilizava as palmas ou os clips para bater o ritmo nós imitávamo-lo. Todos os sinais combinados foram introduzidos gradualmente, para não criar confusão, mas, mesmo assim, para o professor, que naquele momento estava a dirigir o exercício, havia a possibilidade de brincar tentando enganar-nos trocando os sinais.

Este exercício, alem de servir para o aquecimento da sessão, introduziu novamente uma técnica divertida, que já tinha observado em outras disciplinas como “Oficina de Animação Musical” com o professor Paulo Rodrigues, para a interacção com os grupos. No papel do dinamizador da actividade pode-se, como fez o professor nesta sessão, introduzir várias tarefas associadas a sinais específicos, mas inevitavelmente quando se introduz um novo sinal todos estão concentrados neste, esquecendo quase os precedentes. Assim pode-se brincar com: “Quando digo “AGORA” juntem-se em pares e dancem com o outro”... “CLAP (uma palma, associada a um outro sinal precedente) ” e quase todos irão a procura dum par para dançar. Esta pode ser até a estrutura de um jogo, onde quem se engana sai do jogo ou leva um ponto e no final que tem menos pontos ganha, mas no caso da nossa sessão foi utilizada, na minha opinião, para treinar a memória e sobretudo a concentração, necessária numa sessão de teatro.

25 de outubro de 2009

Para que isso me serviu?

A minha reflexão final para esta sessão divide-se, como a própria sessão, em duas partes. Em primeiro lugar queria abordar, tal como fizemos no debate final, a importância pessoal e profissional da improvisação. Por experiência pessoal, sei que a capacidade de improvisar é como um músculo que precisa de ser treinado com exercícios como os que fizemos nessa aula, de improvisação pura a partir de objectos e de improvisação ligeiramente orientada. Digo que esta capacidade precisa de treino porque não é possível estudar a improvisação e a única maneira de aprende-la é colocarmo-nos perante situações problemáticas, onde, por exemplo, um colega te desafia para continuar, em poucos segundos, a trama de uma história. Assim, repetindo estes exercícios, que entre as outras coisas são muito engraçados, iremos adquirir a capacidade de ser nós a dar o primeiro passo e a desafiar os outros ou mesmo a resolver rapidamente uma situação problemática. Adquirir esta capacidade, para um animador sociocultural, é fundamental, pois haverá sempre problemas de logística, de dinâmica do grupo ou de tensão com o nosso público-alvo e muitas vezes reagir como num exercício de improvisação teatral é a solução melhor. Também na própria área do teatro a improvisação permite-nos construir actividades e jogos partindo basicamente de poucas coisas, alcançando com estas actividades objectivos fundamentais como o espírito de grupo e a perda de inibição dos participantes. A nível pessoal, o treino desta capacidade é para mim fundamental porque se, como quero, num futuro me irei afirmar como contador de histórias terei de habituar-me ao facto de, como já me acontece, um miúdo na primeira fila interromper o meu conto e ter de improvisar a partir das suas palavras o resto da minha história. Creio que estes exercícios e esta maneira de resolver os problemas são muito interessante também a nível mental, porque a improvisação obriga-nos a puxar pela cabeça para encontrar rapidamente as palavras para responder.

A segunda reflexão estrutura-se acerca da primeira abordagem que tivemos com o teatro de objectos. Acho este género teatral, (pouco desenvolvido em Portugal e em Itália, mas que pode contar com grandes companhias em outros países como França), muito fascinante porque recupera os jogos infantis e as suas regras, onde um objecto se transforma numa personagem e onde é a mão do manipulador que manda os seus movimentos. Todavia, como vimos nesta sessão, é uma modalidade muito difícil porque implica várias regras de manipulação, se calhar mais difícil do que as próprias marionetas. Num futuro profissional poderei utilizar o teatro de objectos para improvisar, mais uma vez, pequenos espectáculos teatrais em vários contextos, sobretudo com um público infanto-juvenil, utilizando-o para contar partes de histórias ou para dinamizar leituras. A parte mais interessante do trabalho que fizemos na aula foi, com certeza, a descoberta deste novo género teatral, que me permitiu descobrir uma outra maneira, a mim desconhecida, de fazer teatro.

Fazer pressão para relaxar

O exercício de relaxamento do final da aula foi feito a pares, aproveitando os pares que se formaram na última dança do exercício de aquecimento. Um participante era considerado o elemento A e o outro o elemento B. Com o acompanhamento de uma música instrumental relaxante a tarefa do elemento A era contribuir para a descontracção do colega deitado de barriga para cima no chão pressionando-lhe ligeiramente com as pontas dos dedos a cabeça, as palmas das mãos e as palmas dos pés. A um sinal predefinido o elemento B virava-se barriga para baixo e o elemento A continuava o seu trabalho, desta vez pressionando também as costas do colega. Tudo isso devia ser feito em rigoroso silêncio e tentando isolar-se do resto do grupo, imaginando de ser os únicos na sala e prestando muita atenção às respostas corporais do elemento B, percebendo quando a estimulação dum ponto era desagradável e quando esta contribuía para o relaxamento. A actividade continuou com a troca de funções entre o elemento A e o elemento B.

Este tipo de actividade, que obriga à concentração e que ajuda a ter consciência do nosso corpo, foi muito importante apesar de não ter tido a possibilidade de durar o tempo necessário. De facto, com um grupo muito grande como o nosso, é mais difícil alcançar a concentração em tempos breves e cada som ou elemento externo pode desviar a atenção.

Teatro de objectos

A actividade proposta insere-se no objectivo, presente no programa da disciplina, de abordar várias técnicas e vários géneros do teatro. A cada grupo foi dado um conjunto de bonecos e a tarefa de inventar uma história para ser representada, manipulando os bonecos, em cima de uma mesa de apoio. Assim, em cada grupo, discutiu-se bastante, não só sobre como constituir uma história com princípio, meio e fim, (ou seja, com um início, um problema, a resolução do problema e o final), mas também sobre como resolver os problemas relativos a manipulação dos bonecos evitando que a mão do manipulador escondesse o boneco ao público, mas ao mesmo tempo dando uma certa liberdade de movimento aos personagens. Cada grupo, de facto, tinha 4 ou 5 participantes, que se traduz em 5 ou mais mãos a trabalhar em simultâneo na cena com bonecos de pequenas dimensões. As histórias apresentadas ao resto da turma, feitas com os bonecos e com alguns lenços a servir de cenário, foram bastante boas no que concerne a trama, mas tiveram alguns problemas com a manipulação, devido à nossa inexperiência neste género teatral e ao tamanho dos bonecos. Muitas vezes, as histórias tinham a ver com as características dos bonecos, por isso o grupo que tinha vários animais para manipular inventou uma trama que se desenvolvia na savana, mas outras vezes, graças a uma grande fantasia dos componentes do grupo, os objectos assumiam características surreais. Assim quatro cenouras transformaram-se em cena numa nave espacial e na sua tripulação. Isso acontece porque, no teatro, há um acordo, um contrato hipoteticamente assinado entre o público e os actores, ou manipuladores, pelo qual quando se define que uma cenoura é uma nave espacial todos acreditam nisso para manter a magia do teatro onde, como disse um actor italiano, Gigi Proietti, "tudo é fictício, mas nada é falso".

Este exercício permitiu-nos descobrir o teatro de objectos, desconhecido pela maioria dos participantes, e perceber as suas dificuldades e, por isso, o mérito dos manipuladores. Este tipo de actividade insere-se na óptica de proporcionar ao nosso público-alvo um panorama cada vez mais abrangente de actividade, permitindo-lhe descobrir novas formas de fazer teatro e de abrir os seus horizontes culturais.


As cenouras são naves espaciais
Fonte: Autoria própria

Cinco objectos fazem uma história

Sentados em roda fomos divididos em grupos com o simples sistema dos números: o professor atribuiu a cada um um número de 1 a 5, formando assim cinco grupos homogéneos. A seguir, foram postos no meio da roda cinco objectos: duas malas, um tacho, uma concha da sopa e uma vassoura de vime. A tarefa de cada grupo consistia em ir para o meio da roda e muito rapidamente, utilizando os objectos para os seus fins verdadeiros ou inventados, improvisar a representação de alguma cena. Aconteceu assim que quem entre os participantes dos grupos era mais rápido a encontrar uma utilização para um objecto e um princípio de relação com as outras pessoas começava uma história, quase obrigando os outros a ir atrás do fio lançado. Assim criaram-se pequenas dramatizações como um engarrafamento no trânsito ou uma creche com bebes malcheirosos. A tarefa mais difícil era, para alguns, ir atrás duma história pensada por outros, deixando de lado a própria versão da utilização do objecto e a própria ideia de situação, e para outros encontrar uma prossecução ou uma solução ao problema apresentado no início da representação.

O exercício seguinte, depois de ter sido dada a possibilidade a todos os grupos de improvisar totalmente, foi outra vez começar uma improvisação partindo dum local dado pelo professor. O exercício era parecido ao primeiro, com a obrigação de utilizar os objectos, de interagir entre os participantes e de seguir o fio da história lançada, mas desta vez todo o grupo tinha o ponto de partida igual e definido. Todavia, também assim, a pessoa mais rápida acabava por decidir a maneira como a história se ia desenrolar. As sugestões de locais dadas foram: um templo, uma paragem de autocarro, um museu, um restaurante e a encenação de uma peça teatral portuguesa.

Estes dois exercícios foram um começo da improvisação, um primeiro treino livre desta área do teatro, desenvolvida ao máximo, por exemplo, no teatro desporto. Como vimos, às vezes, é bastante difícil interagir rapidamente com outros participantes quando cada um tem na cabeça uma versão da história. Isso, para além de introduzir-nos cada vez mais no mundo do teatro, contribui para construir um grupo da turma, baseando as nossas relações na experiência comum de situações novas como esta.


Pura improvisação
Fonte. Autoria própria

Solo voy com mi pena

De manhã cedo, no princípio da aula, é bom aquecer com música, com uma música movimentada e conhecida que nos permita andar livremente no espaço, inicialmente caminhando, tentando descontrair todas as partes do corpo, a seguir, quase involuntariamente, dançando e cantando entre os lábios a letra da canção. O exercício de aquecimento desta sessão, parecido com o da precedente, foi, num primeiro tempo, andar pela sala, de costas direita e cabeça erguida, tentando apanhar o ritmo da musica de Manu Chao ( http://www.manuchao.net/ )A um sinal do professor (bater de palmas) a tarefa era agarrar na pessoa mais próxima e dançar com ela ao som da música. Foi-nos recomendado que não dançássemos como numa discoteca, cada um singularmente, mas sim dançar agarrados uns aos outros, como requeria a música. Ao segundo sinal era obrigatório deixar o par, muito rapidamente, e continuar a andar pelo espaço sozinho. A vez sucessiva não se podia dançar com a mesma pessoa, mas tínhamos, sim, de escolher uma outra, dançando também com ela.

Dado que o grupo da turma é bastante homogéneo no número de rapazes e raparigas foi-nos possível fazer duas rodas concêntricas, uma de rapazes e a outra de raparigas. Sempre ao som da música, dançámos em roda à direita e à esquerda de maneira que as duas rodas dançassem em sentidos inversos. Ao sinal, a roda exterior passava a ser a interna e vice-versa. A seguir acabámos o aquecimento em grande roda onde os participantes eram alternados por género, quem restava excluído por não respeitar a ordem rapaz-rapariga-rapaz, ia para o centro da roda dançar livremente, tendo mais tarde a possibilidade de trocar o seu lugar com uma outra pessoa.

A utilização de uma música movimentada para o aquecimento permite-nos dançar energicamente e, assim sendo, aquecer todas as partes do corpo e melhorar cada vez mais o nosso sentido do ritmo.

19 de outubro de 2009

Dentro e fora da cena

Como no princípio da sessão contámos em conjunto o conto da Cinderela agora fomos convidados para representá-lo em conjunto, desta vez sem exageros. Cada pequeno grupo tinha dois momentos da história para representar, uma regra eram que todos tinham de representar um papel na cena, o que podia ser também um móvel ou uma parte do cenário. A regra mais importante, que caracterizava o exercício, era o respeitar fisicamente as entradas e as saídas de cena. O espaço foi dividido como o espaço da figura, deixando claro o espaço onde iríamos representar. Para além disso, os dois lados curtos do rectângulo constituíam as saídas e cada episódio da história tinha à partida as entradas e as saídas definidas. A dificuldade foi, sem dúvida, a coordenação quase silenciosa entre os vários grupos para que a representação da história nunca parasse.

Este, na minha opinião, foi o primeiro verdadeiro exercício de prática teatral desenvolvido nas aulas, onde era bem clara a delimitação do espaço e onde era claro também que fora desta área éramos alunos e espectadores, mas uma vez pisada a linha cénica éramos actores, com todas as responsabilidades que isso implica. Esta foi também a primeira vez que, durante a minha actuação, olhei para o chão para verificar se estava dentro do espaço concordado.


Fonte: Autoria própria

Os limites de Cinderela

Voltando aos pequenos grupos anteriores (5 ou 6 participantes) foi-nos pedido que representássemos para a turma uma parte da história de Cinderela (representada por um cartão ilustrativo) levando até ao limite uma característica cómica ou surreal da cena. Assim, partindo da sequência básica dos acontecimentos tínhamos de imaginar como poderia acabar, no absurdo, uma determinada situação.

O facto de ter de representar uma situação extrema, além de trabalhar a imaginação e todos os aspectos básicos da dramatização, vai tocar também as dinâmicas de grupo porque nem todas as pessoas se sentem à vontade para representar um papel extremo em frente do grande grupo. Assim, este exercício pode ser ao mesmo tempo útil para formar um grupo e trabalhar vários aspectos das dinâmicas internas, como também pode pôr em desconforto algumas pessoas.

Contar em conjunto

Em grande grupo, sentados em roda, foram dados cerca de dez cartões com ilustrações do conto de Cinderela. Algumas pessoas da turma foram convidadas a reordenar a sequência desta história universalmente conhecida, assim, depois de poucos minutos, tínhamos a sequência completa que representava graficamente o conto. Posteriormente os cartões foram distribuídos aos participantes com um intervalo de 4 ou 5 pessoas entre cada imagem. O objectivo era contar o conto de Cinderela em conjunto, acrescentando cada um um ponto (Quem conta um conto acrescenta um ponto, diz a tradição), mas respeitando a distribuição das imagens. Assim, quem não tinha uma imagem era obrigado a acrescentar particulares da imagem anterior sem revelar o conteúdo da seguinte. Esta tarefa permitia-nos também desafiar o colega a seguir, interrompendo a frase ao meio, mas deixando uma porta aberta para a sua imaginação.

O jogo de reordenar uma sequência de imagens para reconstruir uma história é muito utilizada com crianças, permitindo-lhes treinar o conceito de antes e depois e a relação causa-efeito. Todavia uma actividade como a do contar em conjunto, com só alguns cartões, é aconselhada para um público mais crescido, com uma capacidade de abstracção maior.

O lenço é que escolhe

Sempre continuando a andar pelo espaço, individualmente e ao som da música, foi-nos distribuído a cada um lenço colorido, e fomos depois disso desafiados a dançar com o lenço ou a utilizá-lo como adereço, continuando a nossa marcha. A seguir, os lenços foram os objectos que nos reuniram em grupos, diferenciados pela cor do próprio lenço, também em pequenos grupos continuámos a nossa dança, desta vez em roda, trabalhando quase involuntariamente a percepção de direita e esquerda. Depois de ter lançado várias vezes o lenço ao ar, com o objectivo de apanhar um outro duma cor diferente, juntamo-nos na grande roda e acabámos o aquecimento.

Como também foi dito no debate no fim da sessão este mecanismo dos lenços para formar grupos pode ser muito útil com qualquer tipo de público-alvo para evitar discussões e para acelerar a formação dos grupos. O não saber antes a utilidade dos lenços e a casualidade na escolha da sua cor permite formar grupos completamente aleatórios. Caso seja preciso (por motivos comportamentais ou de número) pode-se juntar dois pequenos grupos de duas cores ou, permanecendo no jogo das trocas e da dança, trocar com um participante o lenço para que ele fique num determinado grupo em vez de outro.

Um ritmo que aquece

O aquecimento desta sessão foi acompanhado pelo ritmo de várias canções gravadas. Inicialmente, a tarefa consistia em andar espalhados pela sala, como se fosse na rua, olhando, mas não interagindo com as outras pessoas. Assim, tendo em atenção também a postura, começámos a andar consoante o ritmo, mudando repentinamente quando este mudava e deixando-nos levar por ele. Existem várias maneiras de expressar o ritmo numa caminhada, pode ser com os pés, com a andatura, com os braços ou ainda com as reviravoltas no sítio.

Este exercício é muito utilizado, pela minha experiencia, em sessões de teatro, podendo ser considerado um aquecimento muscular, como também um aquecimento das relações com as pessoas, focando a atenção na troca de olhares ou até propondo aos participantes que se cumprimentem uns aos outros em maneiras diferentes.

Remake do conto da Capuchinho Vermelho

Mantendo os mesmos pequenos grupos (6 ou 7 elementos) foi-nos dada a tarefa de representar para a turma a história completa de Capuchinho Vermelho com algumas variantes, próprias de cada grupo. O objectivo do público era observar a dramatização e descobrir a variável na execução do conto. A variável do meu grupo foi trocar os papéis das personagens e inserir outras personagens do mundo das fadas no seio da história. Claramente, este desafio permitiu-nos distorcer completamente o conto, uma vez que transformámos o lobo em Capuchinho Vermelho, a casa da avó num hospital dos contos e a própria Capuchinho Vermelho num caçador assassino. As outras variáveis eram constituídas da representação muda e a representação sem fala, mas sim com sons.

Este exercício trabalha a criatividade e o espírito de equipa, o facto de ter uma tarefa comum e de construir todos juntos um produto final para mostrar aos outros melhorou as dinâmicas do próprio pequeno grupo e da turma inteira.

Tirar uma fotografia

A cada grupo, formado com o exercício anterior, foi dada uma imagem de um livro de banda desenhada. O objectivo era construir uma pequena história para dramatizar que, no momento escolhido, sinalizado por um gesto ou uma palavra de um dos actores, nos permitisse congelar-nos todos como estátuas na idêntica posição dos personagens na figura. Era permitido às pessoas, no momento final, quer não serem personagens, mas sim objectos e elementos do cenário da ilustração quer construirem uma história totalmente não-relacionada com a imagem: o importante era apenas que todos parassem no momento exacto, de maneira que os colegas, na qualidade de público, pudessem confrontar a cena com a imagem. O tempo dado era relativamente breve (5 ou 10 minutos) para obrigar-nos a trabalhar a cooperação e a inventividade muito rapidamente.

Muito importante neste exercício, além de ser a primeira abordagem do nosso grupo com a dramatização, foi a noção do espaço, porque no momento no qual iríamos parar as distâncias entre todos tinham de ser proporcionais às da figura dada e porque quando se representa existe sempre um espaço “de cena”.

Formar letras

A tarefa do primeiro exercício desta sessão foi formar, rapidamente e em silêncio, letras do alfabeto português no chão, prestando atenção ao sentido no qual o professor as iria ler e tentando ao máximo utilizar só duas dimensões do espaço. De seguida, realizámos a mesma actividade a pares e a seguir em pequenos grupos, passando da construção de letras a pequenas palavras, tentando organizar-nos em pouco tempo e de maneira que todos participassem na construção da palavra escolhida. O fim desta actividade foi feita juntando os vários grupos até formar dois grupos únicos. Cada grupo tinha de escolher uma palavra secreta para o outro grupo adivinhar.

Graças a esta actividade começamos, sem quase nos darmos conta, a trabalhar em grupo, com pessoas desconhecidas; a necessidade de trabalhar em conjunto rapidamente criou, desde o inicio, um espírito de grupo nos participantes.

Descontrair deitados

Individualmente, deitados no chão a uma certa distância uns dos outros e em silêncio, começamos a concentrar-nos, controlando a respiração e tomando consciência de todas as partes do nosso corpo. A seguir, muito devagar, começamos a rodar primeiro um pé e depois o outro, nos dois sentidos. Depois dos pés passamos a rodar as mãos, sempre em silêncio, e sucessivamente a cabeça, tendo atenção aos músculos do pescoço.

Este exercício, se bem feito, em silêncio e com todo o tempo necessário para cada um, permite começar optimamente uma sessão, descontraindo os músculos principais e algumas articulações.

Prefácio

Este blog insere-se no âmbito da disciplina “Pratica teatral” do Professor Miguel Falcão do Curso de Licenciatura em Animação Sociocultural da Escola Superior de Educação de Lisboa sendo o instrumento de avaliação contínua deste curso e constituindo-se como o meu portefólio individual.

A escolha deste formato deriva do facto de querer construir, para além de um portefólio, uma ferramenta prática e actualizada de exercícios teatrais e conteúdos abordados nas aulas, útil não só a mim, mas também a quem mais possa interessar.

Num primeiro período do semestre, como consta no programa, iremos analisar conteúdos aptos a uma introdução da prática teatral assim como vários exercícios e dinâmicas de grupo, exercícios corporais e vocais, práticas de leitura expressiva e de leitura técnica, jogos sensoriais e treinos da improvisação. Posteriormente, abordaremos as várias escolas e géneros de teatro quer na teoria quer na prática, com exercícios e pequenas representações. Finalmente, iremos realizar, como turma desta disciplina, um pequeno espectáculo teatral, descobrindo e tratando de todos os processos que esta tarefa implica. Todas as actividades nas aulas irão ser feitas ou individualmente ou em pequenos ou grandes grupos. No final de cada sessão iremos ter um espaço de partilha e de debate em conjunto.

Neste blog é minha intenção reportar semanalmente as actividades desenvolvidas nas aulas assim como eventuais reflexões sobre as mesmas. No final, o blog será o meio onde terei todas as informações relativas à minha tarefa no espectáculo teatral do grupo.

A escolha do sistema da apresentação dos vários post responde a uma necessidade de dividir os exercícios efectuados por finalidade, por tema e por dia. Assim será mais fácil, num futuro próximo e longínquo, quando, espero eu, já estarei a trabalhar constantemente na área da ASC, recuperar rapidamente as actividades desenvolvidas e as suas modalidades.

O nome do blog, em italiano, quer recuperar a minha ideia do teatro na ASC. De facto, nesta área, o teatro é, mais que uma ferramenta do fazer para, uma ferramenta do fazer com. ou seja, para realizar actividades com o meu público-alvo para que, graças ao teatro, se alcancem outros objectivos. Neste sentido queria que o meu teatro fosse, ainda que pequeno, contagioso em relação às pessoas com as quais irei trabalhar, contagioso nas relações, na aprendizagem em conjunto e na construção de um grupo.